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Poluição mata mais do que trânsito e homicídios em São Paulo

por Zé Correaúltima modificação 2008-06-22 14:19

A poluição mata muita gente em São Paulo, mais de duas mil pessoas por ano, e está crescendo rapidamente desde 2005. São em média oito mortes por dia, contra quatro em acidentes de trânsito e 6,5 por homicídio. Mari Almeida examina o tema em um artigo do blog Outra política.

A poluição mata muita gente em São Paulo, mais de duas mil pessoas por ano, e está crescendo rapidamente desde 2005. São em média oito mortes por dia, contra quatro em acidentes de trânsito e 6,5 por homicídio. O motivo é o aumento explosivo da frota de veículos em circulação na cidade, mais de seis milhões (e 8,5 milhões na região metropolitana). No mês de março de 2008, foram emplacados no Detran da capital 48.571 veículos, uma média de 1.566 por dia. Serão mais de meio milhão a mais no final do ano!

São Paulo tinha conhecido uma melhoria da qualidade do ar entre 1996 e 2005, em função da transferência das indústrias poluentes para o interior, da maior fiscalização e da adoção de padrões de emissão mais rígidos para os veículos. Mas o aumento da frota é tão grande que está suprimindo os benefícios anteriores.

Uma pesquisa do Instituto do Coração do Hospital das Clinicas concluiu que mesmo quando a qualidade do ar medida pela Cetesb é “boa”, os índices de poluentes são suficientes para produzir um colapso do coração ou facilitar o desenvolvimento de cerca de 200 doenças cardiovasculares e respiratórias. Elas afetam principalmente os mais vulneráveis, como crianças e idosos.

Mesmo a poluição industrial no estado está ligada ao sistema do automóvel. Dos cinco maiores poluidores de São Paulo, uma é siderúrgica, outra é petroquímica e três são refinarias de petróleo. O enorme crescimento do número de áreas contaminadas na cidade também está ligado a isso: dos 2272 lugares no estado que são declarados contaminados pela Cetesb em 2007 (743 deles na capital), 77% são postos de gasolina.

Um problema particularmente grave é o aumento da poluição por ozônio, tóxico quando próximo do solo. Em dias ensolarados, lugares como o Parque do Ibirapuera e o campus da Cidade Universitária da USP tornam-se particularmente nocivos à saúde.

Até mesmo uma instituição tradicionalmente conservadora, como a Congregação da Faculdade de Medicina da USP aprovou uma manifestação externando sua preocupação com a qualidade do ar nas cidades brasileiras, com destaque para São Paulo. Ela afirma: “O crescimento explosivo da frota automotiva, a manutenção de um óleo diesel de baixa qualidade, a ausência de um planejamento consistente e de longo prazo para a implementação de transporte coletivo eficiente e com baixa emissão de poluentes são situações que afrontam a cidadania, agridem a saúde humana e se opõem aos princípios de nossa Faculdade”.

A Cetesb está cogitando a volta do rodízio estadual, vigente de maio a setembro de 1997 e 1998, quando ele foi estendido da capital para mais dez cidades da Grande São Paulo. O problema do trânsito é apenas um dos aspectos destrutivos da “sociedade do automóvel”.

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